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Moda e Design
12/07/13

Copa do Mundo: Joias com gemas coloridas são os suvenires mais procurados

2014 está aí


Patrícia Sant´Anna

Lacoste

A Copa está chegando. 2014 está aí! E a pergunta que não quer calar: Quais são as reais oportunidades na Copa para o nosso setor? Muitos falarão a vocês que são muitas e que em todas você ganhará muito, muito dinheiro. Cuidado, é bom nós ficarmos de ‘orelha em pé’!

No último seminário de tendências da Tendere (maio/2013) fizemos uma palestra sobre as oportunidades que a Copa trará ao Sistema da Moda, e o setor de gemas, joias e bijuterias, fez parte dessa apresentação.

Primeiro de tudo é avaliar qual a sua real relação com a Copa, desde os locais de venda de seu produto, até como você os vende, passando pela forma como sua empresa produz ou oferece seus serviços. Coloque-se estas questões:

  • Temos negócios das 12 cidades sede ou arredores?
  • Estamos a preparar e gerar produtos específicos (coleções cápsulas) para a Copa do Mundo?
  • O público da Copa terá acesso aos seus produtos ou serviços, ou mesmo tem afinidade com eles?

Vamos então analisar as respostas uma por vez. As 12 cidades sede são Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Portanto, todas as regiões do país são contempladas.

Um dado importante é saber que em média, um turista de Copa do Mundo visita de três a quatro cidades do país que recebe a Copa. Isto significa conhecer o entorno turístico das cidades sede e também em que locais estão as cidades que receberão times para treinamento.

Um exemplo: o turista que vem assistir jogos em Manaus ou Porto Alegre, também explorará as cidades e atrativos que ocorrem no entorno, portanto, do artesanato indígena amazônico ao vinho das Serras Gaúchas, todos têm uma grande chance de bons negócios.

Segunda questão, se você está preparado para gerar produtos específicos para a Copa do Mundo (coleções cápsulas). Se a resposta é sim, arme-se de conhecer o público do evento:

  • ele é formado majoritariamente por homens (você faz ou já fez produtos para o público masculino?)
  • viajam em grupos de amigos
  • são jovens (18-35 anos)
  • possuem uma boa renda (classes A, B e C internacionais e nacionais)

Além dos jogos, as duas atividades que mais fazem é conhecer novos lugares e fazer compras (levam muitos suvenires para parentes e amigos próximos, aqui há uma abertura para pensar em público feminino, mas sob o olhar de um jovem homem que vai comprar um presente e não da própria mulher escolhendo).

Quem vem ao Brasil, quer levar um ‘pedacinho’ do país com eles. Porém, lembre-se: este turista não busca por lembranças com aspectos baratos e ordinários, eles querem levar algo acessível, mas criativo, divertido e que, de preferência, una os temas Copa e Brasil a um só tempo de maneira sustentável. Sim, a sustentabilidade faz muita diferença para um alemão, francês, belga, etc. comprar um produto.  Elementos regionais, desde que identificados e explicitados em etiquetas (tags), são muito bem-vindos. Portanto, pode reservar um pouco para ícones regionais, não precisa criar uma linha toda só com ícones nacionais.

Em meus cursos de desenvolvimento de produto de moda sempre indico aos participantes que eles têm duas formas de começar uma coleção ou desenvolvimento de um produto: ou pelo material, ou pelo tema. Dica: busque pesquisar materiais regionais e nacionais, ou temas regionais e nacionais que possam agradar ao universo desse turista – que, diga-se de passagem, compra muito por impulso. Portanto, se conseguir unir material + tema, é mais fácil seduzi-lo.

É bom lembrar que, após a fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, as joias com gemas nacionais coloridas são os suvenires mais buscados e procurados pelo turista estrangeiro médio no Brasil (Fodor’s Travel Intelligence), portanto, já estamos com a faca e o queijo na mão, ou melhor, já temos um indicador de materiais poderoso. Os temas podem ser muito diversificados, e isso não tem problema, pois cada uma das cidades oferece um manancial de possibilidades criativas para o desenvolvimento dos mais variados tipos de lembranças.

O terceiro item fala diretamente à experiência de compra. Neste pondo destaco a importância de três elementos: (1) embalagens e etiquetas; (2) visual merchandising (digital e real); e (3) treinamento de sua equipe de vendas.

No item (1) é importante perceber que as embalagens devem seguir a linguagem do produto oferecido internamente, devem direcionar a leitura dos teores imateriais (significados das peças) e suas etiquetas devem comunicar em mais de uma língua, indicamos fazê-la em 3 línguas: no português BR, no espanhol (América Latina) e no inglês. Ao projetar uma etiqueta faça com seja o mais legível possível, parece óbvio, mas não o é, a simples escolha de um tipo (fonte) que é muito elaborado pode destruir o intuito de comunicação da ‘tag’.

(2) Visual Merchandising deve ser cuidadoso, pois deve comunicar a pessoas que vem de culturas muito distintas, portanto, estudar quem vai aparecer por suas terras é uma das dicas valiosas que podemos dar. Africanos, latino-americanos, asiáticos, etc. possuem diferentes comportamentos de consumo e isso deve se refletir, mesmo que de maneira sutil, em suas lojas. Caso estejamos falando de e-commerce, vale lembrar que esse comprador pode ser alguém que continue a comprar de você mesmo quando não estiver mais em terras brasileiras... mas a sua loja virtual terá que manter o padrão após o evento acabar, não se esqueça disso.

(3) Em destaque os que lidam com o universo do varejo: treinar a sua equipe é fundamental, não só para falar inglês, espanhol ou outra língua estrangeira, mas é necessário saber como vender. As técnicas tradicionais de vendas de varejo utilizadas no Brasil, nem sempre dão certo com pessoas de outras culturas. Saber respeitar a diferença é um dado sociocultural que exige aprendizado ético-antropológico.

Enfim, a globalização exige boas maneiras, demanda respeito ao Outro (com ‘o’ maiúsculo mesmo, como usado em Antropologia, significa alguém que não é da sua cultura). Há culturas que compram em grupo (exemplo: japoneses, o que um compra, todos compram igual), outros compram isolados, alguns gostam de negociar preços (exemplo, grande parte dos povos do Oriente Próximo e do norte da África) e formas de pagamento (latino-americanos), outros só pagam o valor que estiver estipulado nas etiquetas, nada mais, nada menos, afinal, as culturas de consumo variam tanto quanto variam as culturas imersas no capitalismo, por isso, é necessário se preparar para receber essa miríade de pessoas.

Vale lembrar que muitos brasileiros serão turistas neste ínterim, não o despreze porque não é um estrangeiro, trate-o com dignidade e respeito, tanto quanto os outros. Afinal, ele é o turista e comprador que você mais tem chance de ver retornar ao seu site ou loja.


Patrícia Sant´Anna

Este espaço traz informações e debates acerca de Moda e Design diretamente ligados ao universo da joalheria e bijuteria em todas as suas manifestações. A intenção é promover o conhecimento crítico e um panorama amplo das tendências de moda e consumo aplicadas ao setor joalheiro e de bijuteria.

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