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31/10/13

A indústria brasileira de joias no contexto internacional

O setor passa por um momento de grandes transformações


Ecio Morais

O relatório “Gold Survey” publicado recentemente pela agência de noticias Reuters apresenta um panorama completo do mercado de ouro no mundo hoje. O documento analisa as estatísticas detalhadas dos últimos dez anos da produção primária de ouro, do consumo do metal pela indústria joalheira, do ouro destinado ao investimento, etc. Através do relatório temos uma visão geral do mercado mundial de ouro e joias e podemos também contextualizar a indústria brasileira de joalheria neste mercado.

Não é novidade para ninguém que o setor passa por um momento de grandes transformações e os dados demonstram isto. Vamos aos grandes números:

A oferta primária de ouro (produção das minas) cresceu 8,74% entre 2003 e 2012, saltando de 2.631 para 2.861 toneladas. Por sua vez, no mesmo período, o consumo industrial de ouro pela indústria joalheira no mundo caiu 23,7%, com uma evolução negativa de 2.484 para 1.893 toneladas.

O pior desempenho se deu nos países desenvolvidos, que tiveram uma queda de 62% no consumo de ouro pela indústria. Na Itália, por exemplo, este indicador teve uma variação negativa de 71%, caindo de 334 toneladas em 2003 para 96 toneladas em 2012.

Na verdade, nós podemos observar através do Relatório da Reuters uma clara migração da indústria joalheira para a Ásia. Entre 2003 e 2012, o consumo industrial de ouro na China saltou de 215 toneladas para 590 toneladas; na Índia, o mesmo indicador evoluiu de 538 toneladas para 736 toneladas.

E a indústria brasileira de joias, como se comportou neste cenário? Diante do quadro absolutamente desanimador observado nos países desenvolvidos, o Brasil até que não se saiu tão mal. O consumo industrial de ouro no Brasil evoluiu de 18 toneladas em 2003 para 23 toneladas em 2012, um razoável crescimento de 27%. O consumo na ponta do varejo também variou positivamente, saltando de 24,2 toneladas em 2003 para 26,8 toneladas em 2012.

Apesar deste cenário um pouco mais animador para o segmento de joias no Brasil, os desafios a serem enfrentados no futuro próximo são dramáticos: uma maior abertura do mercado brasileiro pode tardar, mas é inevitável; o nível de competitividade de nossos concorrentes internacionais é crescente em contraste com o baixo nível de inovação de nossa indústria, isto para não falar em nosso crônico problema tributário no mercado interno.

Cabe às entidades de classe como o IBGM e associações estaduais a dura tarefa de liderar uma agenda de inovação e de inserção competitiva da indústria brasileira de joias no mercado internacional.


Ecio Morais

Uma análise crítica sobre o setor de joias no Brasil e no mundo, sob o ponto de vista econômico e político.

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