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13/11/15

Um Choque de Capitalismo

A crise atual não é um simples episódio político, a dimensão é outra


Ecio Morais

Com enorme perplexidade diante da crise econômica, moral e política, o Brasil assiste hoje o fim de um ciclo de governos petistas. Apesar da inegável responsabilidade do PT pelo embaraço que vivemos, é importante reconhecer que nossas mazelas possuem diversas origens e facetas e, dentre elas, é possível distinguir um defeito congênito de nossa sociedade, um pecado original herdado da colonização portuguesa: o patrimonialismo, a confusão entre a esfera do que público e do que é privado.

A crise em que vivemos não é um simples episódio político que o impedimento da presidente será suficiente para resolver. A dimensão é outra. Assistimos ao esgotamento de um modelo de organização social onde o Estado patrimonialista e onipresente, seqüestrado por grupos de interesse, mina as energias da sociedade e compromete o futuro do país. A grande questão é que este modelo de sociedade está incrustada em nosso DNA. As pessoas querem se aposentar aos 50 anos, parte do empresariado defende benefícios fiscais e proteção alfandegária, o universitário sonha com o emprego público estável e bem remunerado, a classe política transformou o aparelho de Estado em um cabide de empregos e os trabalhadores ainda acreditam que as empresas estatais são um patrimônio da nação e não um balcão de negócios escusos.

O Brasil é um país engraçado. No dia 28 de junho de 1989, ou seja, há quase 30 anos, o candidato a presidente na sucessão de José Sarney o senador Mario Covas pronunciou um discurso histórico que merece ser relido. Naquela ocasião, nós já tínhamos a receita da prosperidade e, até hoje, ainda não decidimos implantá-la. O título do discurso é “Um Choque de Capitalismo” pode ser acessado na internet. Para aguçar a curiosidade do leitor vamos reproduzir alguns trechos do documento:

A moral determina e o momento acentua a exigência, que se concilie a política com a verdade. (…) Minha candidatura não está colocada como produto para capturar emoções fabricadas no mercado. Mas sim como uma proposta de reforma radical do Estado e da sociedade, dirigida à consciência e à razão dos brasileiros. (…) Asseguro, sem vacilação, que é possível conciliar política e ética, política e honra, política e mudança. (…) Sr. Presidente, Srs. Senadores, não aceito a visão pessimista dos que não vêem saída para a crise. O Brasil real, hoje, não justifica a imobilidade, o desânimo, nem o desespero.(…) No mundo contemporâneo, que avança por grandes saltos tecnológicos e organizacionais, cada década representa um século a ser ganho ou a ser perdido. Está nas mãos desta geração promover esse salto. Ou o faremos logo, ou retrocederemos. (…) Hoje, com a aceleração das transformações tecnológicas, geopolíticas e culturais que o mundo está atravessando, a opção é manter-se na vanguarda ou na retaguarda das transformações. É com esse espírito de vanguarda que temos que reformar o Estado no Brasil. Tirá-lo da crise, reformulando suas funções e seu papel. Basta de gastar sem ter dinheiro. Basta de tanto subsídio, de tantos incentivos, de tantos privilégios sem justificativas ou utilidade comprovadas. Basta de empreguismo. Basta de cartórios. Basta de tanta proteção à atividade econômica já amadurecidas.(…) Mas o Brasil não precisa apenas de um choque fiscal. Precisa, também de um choque de capitalismo, um choque de livre iniciativa, sujeita a riscos e não apenas a prêmios” .

Viva Mario Covas e o choque de capitalismo.


Ecio Morais

Uma análise crítica sobre o setor de joias no Brasil e no mundo, sob o ponto de vista econômico e político.

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