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19/02/13

2013: Perspectivas para o Setor Joalheiro

A destruição criativa


Ecio Morais

Entre 2006 e 2012 o PIB – Produto Interno Bruto – Brasileiro acumulou uma alta de 29,05%. Comparativamente, neste mesmo período, o setor joalheiro teve um desempenho bem melhor. Por exemplo, segundo dados oficiais, foram abertas 324 indústrias de jóias em ouro ou folheadas no estado de São Paulo, o que representa um crescimento de 40% no número total de empresas no estado. O crescimento identificado se distribuiu da seguinte forma entre os principais pólos: 15% em São Paulo, 41% em Limeira e 27% em São José do Rio Preto. No total do estado de São Paulo, pessoal ocupado na indústria joalheira aumentou em 48,05%, a massa salarial em 114,47% e a média dos salários cresceu 33% no mesmo período.

De 2006 e 2012 as importações oficiais de folheados cresceram 170% (US$ 4,5 milhões em 2006 e US$ 12,3 milhões em 2012) e as importações oficiais de joias tiveram uma variação positiva de 549% (US$ 3,6 milhões em 2006 e US$ 23,5 milhões em 2012) e o segmento de bijuterias importou 315% a mais nestes últimos 06 anos (US$ 10,7 milhões em 2006 e US$ 44,7 milhões em 2012). 

O quadro apresentado acima indica que a percepção reinante no setor de uma crise generalizada não se alinha com a realidade estatística. O mercado consumidor provavelmente cresceu e a distribuição da oferta entre as empresas de capital nacional mudou. Isto para não falar do impacto das importações e do contrabando. 

O quadro parece indicar uma diferença de “performance” entre empresas onde umas prosperam e outras perdem “market share”. Estaria acontecendo algo como uma “destruição criativa”, expressão cunhada pelo economista Joseph Shumpeter e que sintetiza a instabilidade intrínseca do capitalismo. O tempo todo empresas nascem e morrem. Como o setor joalheiro é composto de pequenas organizações que operam em um mercado altamente competitivo e com baixas barreiras de entrada ou saída, esta dinâmica é ainda mais intensa e muitas vezes dramática. 

É importante observar, no entanto, que aparentemente, o avanço de algumas indústrias no mercado não vem se dando por inovação significativa em termos de produtividade, design ou gestão. Neste sentido, a pergunta que não quer calar é: a indústria brasileira de joias, como um todo, está preparada para enfrentar a concorrência internacional em um mercado aberto? Apesar dos poucos dados disponíveis, arrisco a dizer que não, salvo para nichos específicos. Não temos escala, não temos capital, os recursos humanos qualificados são escassos e os anos de informalidade comprometeram a gestão de muitas empresas.

Entendo que o papel e a obrigação de uma entidade de classe como o IBGM e das associações estaduais é diagnosticar o problema, identificar possíveis soluções e implementar um plano de ação para garantir maior competitividade à empresa nacional. Este é o objetivo maior do recente Projeto de Estímulo à Inovação, Competitividade e Desenvolvimento Integrado da Cadeia Produtiva de Joias, Gemas e Bijuterias no Brasil, que começa a ser desenvolvido pelo IBGM em conjunto com o SEBRAE e o apoio das entidades de classe estaduais.  Esse projeto será objeto de nosso próximo artigo.

Dados: FIESP, MDIC e IBGM


Ecio Morais

Uma análise crítica sobre o setor de joias no Brasil e no mundo, sob o ponto de vista econômico e político.

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