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    01/01/13

    Professor Walter Martins Leite

    Do alto de sua simpatia que a todos cativa, o Professor Walter revelou alguns detalhes inéditos da história das pedras preciosas no Brasil, durante um bate-papo descontraído numa tarde calorosa no Rio de Janeiro, cidade que o escolheu e ao seu talento


    Keila Redondo

    Do alto de sua simpatia que a todos cativa, o Professor Walter revelou alguns detalhes inéditos da história das pedras preciosas no Brasil, durante um bate-papo descontraído numa tarde calorosa no Rio de Janeiro, cidade que o escolheu e ao seu talento inato para as pedras preciosas.

    “Vim para o Rio em 1951 convidado por uma importadora de relógios e joias para trabalhar como classificador de pedras numa empresa que trocava relógios por gemas brutas com garimpeiros de Minas Gerais, da região de Teófilo Otoni e Governador Valadares. Foi assim que eu comecei a conhecer pedras, daí que eu entrei diretamente na área”, conta Walter.

    Natural de Garça, interior do estado de São Paulo, Walter Martins Leite começou sua carreira como aprendiz em 1943, dentro da Joalheria Tucuruvi, de propriedade do seu pai, José Leite. Estudava pela manhã e ia para a oficina à tarde.“Mas aos 18 anos eu já voava sozinho”, brinca.

    Abriu o seu primeiro negócio em 1948: uma joalheria no bairro do Tucuruvi, zona norte da cidade de São Paulo. Permaneceu com a loja por apenas três anos, pois aceitou o convite da importadora de relógios e mudou-se para o Rio.

    Depois de dois anos no novo emprego na então capital federal, seu irrequieto espírito empreendedor o levou a abrir a Joalheria Presidente, em 1953, na Praça Tiradentes, Centro da cidade. “Em 1955  mudei o nome da empresa para Real Gems. Ficamos na Praça Tiradentes até 1964. Depois mudamos para o Mercado das Flores, na Rua Buenos Aires e de lá pra Ipanema, em 1985. E sempre mantendo contato com os fornecedores de pedras brutas do Brasil todo”, enfatiza Walter.

    Formou-se em gemologia pelo GIA – Gemological Institute of America, Estados Unidos - e começou a compartilhar seus conhecimentos com os brasileiros. Ministrou cursos na AJORIO, associação dos joalheiros carioca e em São Paulo, convidado pelo Professor Rui Ribeiro Franco – “o Mago das Pedras”, como enfatiza Walter.
    Desde 2001 ministra a disciplina de Gemologia no Curso de Pós-graduação em Design de Joias da PUC RIO. Também é perito judicial membro da Associação dos Peritos Judiciais do Estado do RJ além de trabalhar com avaliações e certificações de joias e gemas juntamente com os filhos André e Cristina. É membro do GIA Allumini Association, do AGA - Accredit Gemologists Association e da NAJA - National Association of Jewelry Appraisers.

    Foi um dos fundadores do IBGM. “O Instituto foi fundado em 1977 para dar um suporte, um apoio à classe. Naquela época os joalheiros eram vistos de forma negativa”, relembra.

    Sobre o professor Walter, o presidente do IBGM, Hécliton Santini Henriques, declara: "O Walter Leite é, além de tudo, um amigo. O setor deve muito a ele pela competência, pela dedicação e pela motivação que ele tem desenvolvido durante os últimos 50 anos - diria até durante toda a sua vida - em prol do fortalecimento da gemologia no Brasil. O Walter foi um pioneiro e um dos mais destacados gemólogos do nosso país. Ele fez parte, durante muitos anos, da cadeira de Gemologia do IBGM, sendo hoje sócio honorário da entidade pelos serviços prestados.  Desejo pessoalmente a ele muitos anos de vida, com alegria e satisfação".


    Água-marinha Tiradentes

    Em 1963, quando finalmente foram localizados vários depósitos brasileiros de esmeraldas em Carnaíba e Salininhas,  Bahia, o gemólogo Walter Martins Leite tomou a iniciativa de enviar algumas amostras dessas esmeraldas para a Suíça “porque nós não tínhamos instrumentos gemológicos com tecnologia suficiente para aferir a incidência ou não de cromo naqueles berilos. Alguns exportadores de pedras preciosas não tinham conseguido vender as esmeraldas de Carnaíba nos Estados Unidos. Eram lotes acima de mil quilates de pedra com qualidade muito fraca, que não tinham a mesma qualidade superior das de hoje. Eu peguei umas amostras dessas esmeraldas e mandei para o professor Gubelin, do Laboratório Gubelin, na Suíça. Após um exame geológico com instrumentos de alta tecnologia, confirmou-se que o berilo continha cromo, elemento que comprova tratar-se de esmeralda... Com o certificado do laboratório Gubelin nas mãos, foi possível negociar as esmeraldas brasileiras nos Estados Unidos e Europa.. Depois disso vieram as esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás, depois de Itabira e Nova Era, Minas Gerais... Hoje o Brasil é um dos maiores produtores dessas pedras verdes tão sonhadas por Fernão Dias Paes Leme, o nosso Caçador de Esmeraldas”.


    Professor Walter Martins Leite

    “Em 1974, o ex-garimpeiro e exportador de pedras preciosas Manoel Bento dos Santos, apelidado de Mané Rola, me ligou dizendo que tinha comprado uma grande fortuna em água-marinha e perguntou se eu não queria ser sócio dele no negócio. Era um cristal azul profundo de 65 quilos, 55 cm de altura e 40 cm de diâmetro que tinha sido descoberto em Araçoai, Minas Gerais, e batizado de Cachacinha em ‘homenagem’ ao garimpeiro que achou a pedra, que era meeiro com o dono da lavra, compadre do Mané Rola.


    Walter Martins Leite e Manoel Bento do Santos com a água-marinha gigante

    O compadre do Mané comprou a parte do garimpeiro Cachacinha, registrou a pedra e pagou o IUM - Imposto Único sobre Minerais. Como era compadre, deu preferência e vendeu a pedra para o Mané Rola por alguns milhares de dólares, que à época valiam alguns milhões de cruzeiros. Só que o garimpeiro, quando viu a repercussão que acabou tendo a descoberta da água-marinha gigante, resolveu dar queixa na polícia e o delegado proibiu que a pedra saísse de Teófilo Otoni, dizendo que o garimpeiro tinha sido ludibriado. O Mané Rola teve que sair de Teófilo Otoni com a água-marinha escondida num caminhão de verduras, embora estivesse com toda a documentação da pedra em ordem. Quando chegou ao Rio, o Mané levou a água-marinha para eu examinar, pois ele tinha olhado a pedra rapidamente e usando apenas uma lamparina. Examinei a pedra gigante com um projetor de cinema e imediatamente sentimos o prejuízo. Aquela água-marinha não tinha praticamente nada que pudesse ser aproveitado, era repleta de inclusões. Lapidei uma pequeno corte da parte inferior e a pedra lapidada resultou quase incolor.”

    Diante da possibilidade de um prejuízo enorme, resolveram promover a pedra como espécime de coleção. Foram conversar com David Nasser, o que rendeu uma reportagem de várias páginas na revista O Cruzeiro. Apareceram também no programa do Flávio Cavalcanti. A pedra ganhou notoriedade.

    Um golpe de sorte fez com que fossem convidados para uma solenidade no Clube Militar do Rio de Janeiro: “vamos ter um evento em homenagem a Minas Gerais. Vai ter a Miss Brasil, televisão e grande divulgação. Vamos rebatizar a pedra com o nome ‘Tiradentes’, em homenagem ao Mártir da Independência!”, sugeriu o militar, que era cliente do professor Walter.


    Fac símile da revista O Cruzeiro

    E foi assim que a água-marinha Cachacinha virou Tiradentes, com direito a ser rebatizada por uma Miss Brasil e tudo, no coração do Clube Militar, na Lagoa, Rio de Janeiro.

    Restava, agora, vendê-la. A pedra foi exposta na feira de gemas de Governador Valadares (MG). “Um comprador alemão se interessou pela pedra, negociamos e acabamos vendendo por um preço 10% inferior ao que havíamos pago”, relembra Walter.

    Na hora de exportar, uma nova emoção. A CACEX – Carteira de Exportação do Banco do Brasil -  impediu a saída da pedra, alegando que o valor da Carta de Crédito estava bem abaixo do valor divulgado pela imprensa. O órgão convocou uma comissão de conhecedores de gemas para avaliar o mineral “o que só aumentou a confusão, pois cada um fez uma avaliação diferente... é muito difícil avaliar uma água-marinha de 65 quilos”, diverte-se Walter.

    “No dia que vencia a carta de crédito, fomos lá  na Cacex, eu e Manoel Bento, e falamos para o funcionário que havíamos comprado a pedra errado. Estamos perdendo um dinheirão e se o senhor não nos deixar exportar a pedra vamos fechar duas empresas. Propomos o seguinte: se o senhor acredita que a pedra vale muito mais e não nos deixa exportá-la por este valor, vendemos para o Banco do Brasil por um preço 10% menor que o declarado na Carta de Crédito”. Isso posto, a autorização para exportarmos foi dada imediatamente e a pedra seguiu para a Alemanha, onde foi exposta em vários eventos de gemas como mineral de coleção. 

    Depois disso, houve um boato de que a água-marinha Tiradentes. ex-Cachacinha, teria sido cortada e que no interior havia um “olho” – cristal azul intenso que irradiava cor para os 65 quilos do mineral. “Mas não sei se é verdade... O fato é que, até hoje, não há informações concretas se a gema foi lapidada ou se continua como espécime de coleção”, conclui Walter Martins Leite.


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